Entrevista por e-mail: preguiça ou filtro?
Por Débora Carvalho
Acabo de ler a coluna de Lúcia Faria, no Portal Imprensa. Não pude deixar de também falar sobre o tema. Quero já deixar claro a você – cliente ou futuro cliente, que é melhor passar por um treinamento para dar entrevistas adequadas do que passar pelo “mico” de só aceitar dar entrevistas por e-mail, por medo de falar algo errado. Ou por não ter as ideias alinhadas.
Às vezes é o jornalista que pede. Envia as questões por e-mail e daí a fonte responde, o assessor corrige o texto e envia as respostas. Dependendo do assunto, pode não haver problema algum.
No entanto, algumas fontes fogem da imprensa. Contrata uma assessoria não para dar acesso, mas para ajudar a escondê-lo. Claro que isso ocorre mais em situações polêmicas, de investigação. Mas mesmo assim, não é desculpa. Se você tem algo a esconder, que não esconda por trás da covardia de não dar entrevista cara a cara ou por telefone, que seja.
Melhor aprender a se comunicar melhor. A assessoria de comunicação entende que alguns jornalistas são carniceiros. Também entende que dependendo do modo como a sociedade recebe determinada notícia (denúncia), mesmo que seja mentira é difícil limpar a imagem depois – já que o sensacionalismo é intenso e a retratação apenas uma nota, ou simplesments não se fala mais no assunto.
No entanto, dependendo do posicionamento que pretende ter diante da sociedade, a sinceridade é a melhor saída. Antes ouvir da sua boca do que ser desmascarado e passado por mentiroso mais pra frente. Exemplo: sua empresa passa por uma crise e vai precisar demitir 15% dos funcionários. O rumor chega à imprensa, e procurado você responde uma nota de que isso é boato e que está tudo sob controle. Até adia por uns dez dias as demissões. Mas elas acontecem. E a imprensa fica sabendo. Como fica sua imagem? Adiantou esconder a verdade?
Mas vamos a Lúcia Faria.
“Mas acho bom levantar a poeira debaixo do tapete de vez em quando. A questão está relacionada às constantes solicitações de entrevistas por e-mail. Algumas vezes os jornalistas é que insistem, em outras é o próprio cliente e seus assessores.
…
“Não acho esse processo salutar para nenhuma das partes. Uma imprensa preguiçosa só deseduca a sociedade. E agora que dei um tiro no pé, vou ter de responder àqueles jornalistas que vão rebater o texto com exemplos já ocorridos na minha empresa. Sim, já fomos obrigados também pelos clientes a pedir as perguntas previamente, a forçar respostas por e-mail e tudo o que combati nas linhas acima. Mas em nenhum momento eu disse que fazia diferente. Estamos no nosso papel. Cabe aos jornalistas das redações não aceitarem esse tipo de abordagem e não darem o primeiro passo.
Leia o artigo na íntegra:
A burocracia das entrevistas por e-mail
Jornalista – um bicho de sete cabeças e dez chifres
Por Débora Carvalho
Uma cabeça só não seria suficiente para o jornalista contemporâneo ser capaz de acompanhar as atuais exigências da profissão. Antigamente, as demandas eram distintas, segmentadas em áreas exclusivas. Alguém só para analisar e propor pautas. Outra pessoa só para apurar informações. O repórter nas ruas. O redator que escrevia com base nas informações do repórter e do apurador. O cara da diagramação. Revisor. Fotógrafo. Câmera. Editor de áudio. Editor de vídeo. Motorista. Operador de som. Locutor.
Hoje é diferente. O jornalista tem que saber o que aconteceu, o que acontece e o que vai acontecer ao seu redor e no mundo. Escrever em cinco linguagens diferentes: jornal impresso, revista, internet, rádio e televisão, com maestria. Texto impecável. Criatividade. Domínio das tecnologias para fazer o máximo de coisas sozinho.
Não existe mais pauteiro. Nem apurador. O repórter tem que entregar o texto final, impecável. Existe até vídeorepórter, que faz a matéria sozinho – com passagem e tudo – e edita o VT no notebook, no estacionamento do shopping onde parou para fazer um lanche – para chegar à redação com a matéria pronta para ir ao ar.
Além das exigências de múltiplas performances e habilidades, a estabilidade em carteira assinada também está em extinção. Vivemos em um novo mundo, onde o jornalista – além de multiuso – também precisa ser empreendedor.
Nesse cenário apocalíptico, o jornalista é um bicho de sete cabeças e dez chifres. Uma cabeça só não dá conta de tantas exigências. Quais você imagina que são? Minha sugestão é cultura, agilidade, proatividade, sensibilidade, tecnologia, empreendedorismo e humanidade.
1. Cultura
Além da popular, a erudita. História, atualidades, arte e costumes. Isso inclui conhecer bem o próprio idioma: estar entre os 28% da população com alfabetização plena. E mais. Na condição de comunicador, precisa ser capaz de falar com os 72% que não compreende bem o que lê. Nada de conversar com o próprio umbigo ou só com a elite e colegas de profissão.
2. Agilidade
Tudo é pra ontem nesse novo mundo. Vivemos na cultura do imediatismo. Então, é bom que os hábitos de vida do jornalista permitam que ele tenha um raciocínio muito veloz. Tem que digitar rápido, diagramar mais rápido ainda. Editar sem erros. Ir direto ao ponto. Não dá pra enrolar tempo na atividade e menos ainda enrolar o público com blá blá blá. O texto também precisa ter essas características, ser claro, objetivo, e de fácil leitura. Parágrafo que a gente precisa ler duas, três vezes para entender, só em artigos acadêmicos. Quando essa cabeça pega no sono a matéria não sai.
3. Proatividade
Degolar essa cabeça por achar que o beneficiado é sempre o próximo é a pior bobagem. Ser proativo, cheio de iniciativas e de bondade – com foco nos resultados e no bem-estar das pessoas – é a chave para aquela promoção. Ou demissão. O incrível é que ser demitido por um chefe incompetente e invejoso abre as portas para que você encontre seu espaço legítimo. É um favor que você recebe da vida, pois talvez não tenha coragem para pedir demissão.
4. Sensibilidade
Quando a sensibilidade fica com dor-de-cabeça é o fim. Pausa para férias. Sem sensibilidade, você fica com a percepção alterada. O texto fica péssimo, sem criatividade e sem nexo. Você não vai saber quando e com quem ser proativo. Vai deixar de fazer a pergunta mais importante. Talvez até publique uma barrigada sem apurar os dados – por falta de atenção. Não vai perceber as alfinetadas ou que está sendo capacho do colega, ou que você mesmo está agindo com grosseria ou arrogância. Sensibilidade é questão de sobrevivência.
5. Tecnologia
Conteúdo não é nada se ninguém tiver acesso. A tecnologia permite que os conteúdos cheguem às pessoas. O jornalista contemporâneo domina todas as novas tecnologias à medida que vão surgindo, e as aplica para facilitar a produção do seu trabalho.
6. Empreendedorismo
Pois é. Hoje, o jornalista sem espírito empreendedor, ou coragem para empreender, perde muito. O patronato não tem espaço para empregar todo mundo. E ainda existe a relação entre os empreendedores de grande porte com os empreendedores micro – uma empresa composta de eu e minhas sete cabeças. O jornalista empreendedor não tem rabo preso. E precisa aprender marketing e publicidade – para aplicar em si mesmo. É uma aventura que pode valer a pena para os que têm coragem.
7. Humanidade
Se ela tiver um AVC, você pode esquecer que seu compromisso profissional é com o público e não com o seu chefe. A sétima cabeça é a primeira que nasceu. Do tempo em que não existia tecnologia nem multifunções. É aquela que mostra que você não é super-homem, nem advogado, policial ou juiz. Ela é a ética, o caráter. É a verdade e o respeito acima de tudo. É o que te dá coragem de abandonar o emprego que paga mal e demitir o chefe sem escrúpulos. É a sua dignidade – que não tem preço. Ou tem?
É por esse trabalho todo que o jornalista é um bicho de sete cabeças.
E os dez chifres?
– Cada um com seus problemas. Mas tomara que você tenha nenhum.
Como ter uma comunicação eficiente
Ferramentas como blogs, intranets e instant messengers podem facilitar a comunicação entre as equipes, mas não garantem o sucesso na comunicação de um projeto
Por Margareth Carneiro*
Não há exemplo melhor para falarmos sobre comunicação na área de projetos do que a história do Sultão e seus conselheiros. Um rico e poderoso Sultão, certa noite, sonhou que havia perdido todos os dentes. Preocupado, ele mandou chamar seus dois conselheiros mais sábios. Ao perguntar para seus eles o que significava o intrigante sonho o primeiro lhe falou:
Todos da sua família morrerão antes de vossa alteza!
O Sultão, transtornado e furioso, mandou para a masmorra o insensível e agourento sábio.
O segundo, ao ser consultado disse:
Este sonho quer dizer que o senhor terá uma vida muito longa.
Satisfeito com a resposta, o Sultão concedeu um polpudo prêmio por sua sabedoria.
Ambos os sábios escolheram palavras e formas diferentes para dizer a mesma coisa ao Sultão. No entanto, a forma como as coisas são ditas, por mais corretas e precisas que estejam, podem desencadear as mais diversas reações nas pessoas. Portanto, na comunicação existe um aspecto comportamental muito importante que não pode ser negligenciado pelo líder.
No mundo corporativo, principalmente na área de gestão de projetos em que a realização de todas as atividades com prazo, qualidade e custos desejados é fundamental, a comunicação é essencial para que as “engrenagens” funcionem de forma harmônica e no tempo necessário.
E como gerenciar todas as informações geradas nos projetos de modo eficiente?
O primeiro passo é planejar a comunicação. O processo não pode simplesmente acontecer. O gestor e sua equipe devem definir como irá ocorrer. É claro que é inevitável as pessoas conversarem, trocarem idéias, mas a comunicação oficial do projeto deve ser bem definida e clara para evitar ruídos e desentendimentos. Portanto, para planejar a comunicação em projetos devemos pensar nos objetivos, nas reuniões que teremos, nas mensagens e documentos que serão gerados e trafegados durante toda a sua execução, nas estratégias de comunicação, na temporalidade da comunicação, mídias utilizadas e após o término do projeto, o arquivamento de todo conteúdo gerado.
Comprometimento – Atualmente temos tecnologia que apóia sensivelmente essa comunicação tais como blogs, portais, intranets, sistemas de gerenciamento de projetos, e-mails, instant messengers e outros dispositivos. Mas tais avanços e facilidades podem facilmente se transformar em problemas de over communication. Quem não recebe emails em demasia? Quem não recebe emails com documentos anexados de páginas e páginas? Utilizar apropriadamente as mídias e tecnologias disponíveis é fundamental para se obter o desejo e o comprometimento dos elementos do projeto.
De acordo com Bill Quirke, consultor inglês e autor do livro “Communicating Change”, existe uma mídia apropriada para cada tipo de comprometimento necessário. Um bom exemplo é o famoso e-mail, que é muito bom para conscientização (ou seja, recebo um email e tenho noção do assunto). As pessoas recebem e-mails ou boletins de informações e ficarão conscientes das ações executadas pela equipe, mas nem sempre passar um email é ter o comprometimento e engajamento necessários.
Quando se pretende um envolvimento no assunto, é necessário fazer algo presencial ou interativo, como reuniões ou conferências para a troca de informações e geração de idéias e conhecimento. Portanto, o uso apropriado de mídias de comunicação tem o poder de gerar o envolvimento e o comprometimento das equipes.
Se planejar a comunicação é fundamental, de nada vai adiantar se não nos preocuparmos se todas as etapas deste processo foram bem executadas. As informações devem ser geradas no tempo apropriado, enviadas ao público alvo sem ruídos e conforme o planejado. Manter o status do projeto atualizado, com informações consistentes e atualizadas, é fundamental para a boa gestão de um projeto.
Ao mesmo tempo, manter as reuniões produtivas é instrumento vital para manter o projeto em um ritmo desejado e executar correção de eventuais desvios que possam ocorrer. Vale lembrar que persistência e disciplina ajudam muito para a manutenção da comunicação.
Essa comunicação ainda é fundamental no encerramento de projetos. Todos os documentos gerados devem estar sistematizados e guardados. Ao final deve-se fazer um relatório e sistematizar as lições aprendidas coletadas durante o projeto. Dessa forma erros passados não serão cometidos e futuras execuções de projetos serão mais dinâmicas e eficientes.
*Margareth Carneiro é PMP e MSc, co-autora dos livros Gerenciamento das Comunicações em Projetos, da Editora FGV e Projetos Brasileiros – Casos reais de Gerenciamento, da Editora Brasport, e Diretora de Gerenciamento de Projetos da Compass International (www.compassbr.com.br).
Universitários não querem emprego
Ser empregado em uma boa empresa já não é o sonho de 25% dos universitários. Decididos, eles buscam conteúdo que agregue conhecimento prático ao futuro negócio. Também não falta coragem para abandonar o curso e a instituição errada. E os mais ousados não esperam a chegada do diploma para dar início à empreitada.
Por Débora Carvalho*
Já se foi o tempo em que os jovens ingressavam na universidade apenas para garantir um emprego melhor. Entre os empreendedores brasileiros, 25% são jovens – o que faz do País o terceiro com maior número de empreendedores entre 18 e 24 anos. E o número tende a aumentar, segundo a pesquisa 2008 da GEM – Global Entrepreneurship Monitor. São quase 4 milhões de jovens empreendedores – 15% da faixa-etária. Geralmente, prestam serviços especializados como informática, contabilidade e comunicação empresarial.